Ontem, fui ao Banco do Nordeste para conseguir um empréstimo para meu novo negócio, que em breve será tema de discussão no blog.
Para quem já buscou recursos para financiar seu negócio, nada do que vou expor será novidade. Recebi uma lista extensa da documentação necessária para conseguir o empréstimo, dos passos a seguir, do projeto a apresentar, etc.
O interessante chegou na hora da discussão das garantias necessárias para obter o financiamento. Tendo morado muitos anos no Canada e nos Estados Unidos, sempre abordo essas questões de forma muito inocente aqui no Brasil. Como sou dono de um apartamento de porte no qual moro com minha família, tinha certeza que poderia oferecê-lo como garantia para meu empréstimo.
Porém, não é bem assim… Aqui no Brasil, a lei proibe que um bem patrimonial (como a moradia da família) seja usado como garantia de um empréstimo bancário. A alegação que defende esta lei é que nenhuma instituição deveria ter o direito de tomar de uma família sua moradia.
Me chame de louco, mas veja se acompanha meu raciocínio… Se busco um empréstimo, é por que preciso de dinheiro, não é? Se eu escolher penhorar minha casa para conseguir esse dinheiro, eu estaria voluntariamente entrando num contrato. Ninguém estaria me forçando a “arriscar” meu bem patrimonial na transação. Eu teria a oportunidade de lançar meu negócio, recuperar o valor do empréstimo e repagar minha dívida. Caso eu não conseguisse, teria de vender o imóvel para cobrir minha dívida. E aí, minha família ficaria sem moradia. Lógico, não?
Mas aqui não funciona assim. Como estou precisando de dinheiro para fazer meu negócio crescer, eu teria de vender meu apartamento primeiro para conseguir o dinheiro, automaticamente deixando minha família sem moradia, e sem oportunidade de recuperá-la. Minha família ficaria sem moradia da mesma forma.
Um dia, vamos nos dar conta do que Joseph Schumpeter apontou mais de 50 anos atrás: o motor do desenvolvimento de qualquer nação é o empreendedorismo e tudo deve ser feito para encorajá-lo, estimulá-lo e facilitá-lo.
Nem que signifique arriscar que minha família fique na rua.